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Ação no Palão

Palão

No início deste ano fui assistindo a Ação no Palão. Não um filme trasmontano com o Silvestre Estaladão passado no Palão e com muita ação, mas antes novidades na floresta do Palão, mesmo à saída de Martim Tirado, quem vira para Freixo. Primeiro as minhas investigações, motivadas pela beleza do carvalhal em crescimento e por ações de limpeza que ia vendo por lá. Segundo, pela plantação de sobreiros e carvalhos (talvez sejam azinheiras), como resposta ao abate de sobreiros e azinheiras na futura albufeira do Baixo Sabor. Dentro duma tragédia, algo de positivo. Terceiro e último, por uma conversa que tive com uns senhores do ICNF que encontrei por lá, em ação de manutenção.

Disseram-me esses senhores que o projeto que referi na publicação anterior não avançou. O Perímetro Florestal não está a ser gerido pelas Juntas de Freguesia, mas antes pelo ICNF. Nunca deixou de ser gerido pelo Estado central. Não houve plantação de árvores novas, não houve zona de micologia, nada. Apenas é feita manutenção de quando em quando, nomeadamente a limpeza nas entre-linhas e poda das árvores. O que se vê por lá são pinheiros e carvalhos que sobreviveram aos incêndios. Os mais impressionantes são de facto os carvalhos, que sobreviveram num caneiro junto à estrada, onde as chamas chegaram certamente com menos intensidade. Os quercus que se vêm aqui são já umas árvores de respeito, com uma vintena de anos em cima (imagino), que já venceram a primeira prova, a da competição com os pinheirinhos. Naquele pedaço, são elas que mandam.

Um carvalhal em crescimento

Quanto aos sobreiros plantados como compensação do Baixo Sabor, a plantação foi feita nas entre-linhas de pinheiros sobreviventes aos incêndios, com mangas de plástico a protegerem-nas das cabras e javalis. Posso estar enganado mas penso que os senhores do ICNF me falaram em 2000 árvores.

Quadragésimo nono dia - carvalhal

dia-a-dia: está na hora do telhado

O dia acabado, já pouca luz sobrava sequer para caminhar, e eu ainda lá, na Quinta dos Baldo. Primeiro olhava as telhas, um beiral já acabado, um esboço do que será um telhado acabado. Depois o interior. Algum clique ficou por acontecer no meu cérebro porque continuo a passar longos minutos embasbacado a olhar as madeiras, sempre ao fim da tarde, depois dos homens partirem. O fascínio continuou mesmo depois de arrancar para a Macieirinha. Parei o carro um pouco mais à frente para olhar o beiral.

A Clementina, mal cheguei, logo me intimou a livrar-me dos cachorros. A cadela já não tem leite, os cachorros já comem comida, ainda ontem lhes dei arroz. A cachorrada tem de ir. O empreiteiro e o Luís, um dos assalariados, levaram cada um o seu cachorro. Eu levo outra amanhã. Fica apenas mais uma, cachorrinha, adoentada, a mais pequena de todas. Preciso de um dono que precise de uma cachorrinha.

À hora do almoço, a caminho de Freixo para mais uma jornada de burocracia, reparei na beleza do carvalhal. O terreno, pertença do Estado, já ardeu várias vezes, e está agora, penso, na guarida das Juntas. Como nas Juntas não entra a questão do lucro rápido, entra a razão. Plantar eucaliptos e pinheiros, que ardem todos os anos? Isso é estúpido. Planta-se é carvalhos, que quando há incêndios permanecem. E assim foi. Tanto plantaram os carvalhos, americano e alvarinho, como agora limparam o terreno à volta dos carvalhos, para que cresçam com mais vigor. E podaram os carvalhos mais pequenos. E arrancaram as mimosas, quase já a formar um bosquete. Quase me vieram lágrimas, tanta era a alegria. Todo um país podia ser assim, simples.

um carvalhal em crescimento