Mostrar mensagens com a etiqueta laje. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta laje. Mostrar todas as mensagens

Nono dia - ver as vistas

dia-a-dia: uma laje?!?

Giestas floridas. Muitas giestas floridas, brancas. Pareciam verdes ao de longe. Por vezes ganha a esteva, ainda por florir. Uma ou outra florida. Tás a ouvir, Nuno, isto é a flor da esteva. Já viste, quando está para abrir parece vermelha. Quanto às lavandula, o Júlio esclareceu-me, é rosmaninho. Alfazema há nuns canteiros em Vila Flor, como o nome indica.

As árvores floridas por trás da casa do avô velhinho são afinal gingeiras. Flores brancas, parecidas com as da cerejeira. Aqui e por todo o lado, abelhas e borboletas e todo o tipo de bicho em êxtase primaveril. Até eu.

flores que nem ginjas

A paisagem vale a viagem, agora e em qualquer altura do ano. As penedias surgem ao longe como uma portel, a barrar o caminho entre as hortas que permeiam o vale. Formam as hortas que me trouxeram cá, e valem o esforço. Agora há água canalizada junto às casas, mas antes só na base do vale é que havia. Daqui a nada nem há velhos para as tratar. Dois ainda lá vão, nos seus burricos. Têm a horta junto à fonte da Saúde. Às vezes trazemos garrafas. Não gostamos da água da rede, sabe. Põe-lhe o cloro. A Fernanda disse-me o mesmo. Não, a Alcina, quando me mostrava as meias para o inverno. Isto são só uns remendicos, desculpa-se ela, à procura das 'outras' meias, feitas com quatro agulhas. Iguais às das lojas. Prefiro as antigas, remendos de remendos, uma espécie de meia de noite, a juntar a várias camadas de roupa.

as hortas
o monte

a Alcina, designer de meias

Oitavo dia - o cu da velha

dia-a-dia: chegaram as vigotas

Mais um dia sem estória. A noite mal dormida obrigou-me a duas sonecas pelo caminho. A obra não avançou por falta de material (vigotas e tijoleira) e excesso de chuva. Aproveitei a aberta para expressar junto do empreiteiro a minha preocupação com a delimitação entre a laje de baixo e a de cima. Acho que ficou compreendido.

Enquanto não ganhava coragem para o 'até logo' definitivo o Amílcar lá ia soltando a língua. Insistia com a Alcina que a parede do palheiro nunca levou barro. A Alcina escavocava mais um bocado da parede com a bengala. O Amílcar mantinha-se intransigente. Parecia que a discussão durava há anos. Mostrou-me um ferro, uma porcaria, que depois chegaram os de aço e aí é que era. O ferro, que deixou de ser de ferro para passar a ser de aço. E falou-me das pedras como as das piscinas é que é. Então aquilo não leva cimento?, pergunta a Alcina, sempre duvidosa das capacidades da junta seca. As da piscina, cum carai, remata o Amílcar. Aquilo é que é xisto bom. Com face, não é como isto (aponta para a parede, de pedras irregulares). Esta pedra é de cu de velha.