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Plantando um jardim autóctone, económico e sustentável

2 - Criar sombra

Um dos fundamentos (presumo eu) da arquitetura bioclimática é, na ótica do mínimo esforço para máximo resultado, blábláblá, pôr a natureza a trabalhar para nós. Se a arquitetura bioclimática não é assim, então, enfim, mudo já de religião. Isto a propósito de (conversa de arquiteto) sombreamento de vãos. No curso de arquitetura falaram-nos amiúde de brise-soleil, mas muito pouco de sombreamento natural.

Quando a casa era ainda projeto pensei nos olmos do quintal (uma das razões para comprar a casa) como uma proteção natural à canícula. Os olmos foram secando e fui procurando alternativas.

Uma alternativa que existia desde o início eram as parreiras que o senhor Baldo plantou para fazer latada (ramada). Com as maravilhas da técnica, e uma Black & Decker, aqui o Gomes deu conta do assunto.

A parreira do tio Baldo

Os menires dos dois lados do pátio serviam mesmo para isso, para sustentar uma latada. Como ainda não houve tempo para outras aventuras, fiquei-me pelo básico de amparar a parreira à parede. O resto logo se vê.

Quanto às portas de baixo, outra ideia surgiu, certamente das horas infindas em blogues de design e decoração. Um (à falta de melhor palavras) arco de rosas a enquadrar a entrada da cozinha e do quarto dos olmos. Como todo o grande projeto tem o seu processo, tratei de arranjar as rosas. Nos viveiros não havia 'rosas de trepar'. Um dia, fortuitamente, encontrei-as no Jumbo. Plantei-as, duas, ao lado de cada porta.

Camarão. Fechado.

O serviço acabado.
flickr

De seguida dei corda à Black & Decker e, usando arame envolto em plástico e camarões fechados, fiz uma guia para as roseiras crescerem, e irem pingando sobre as portas. Vou publicando fotos da evolução.

Quadragésimo sexto dia - construção em madeira

dia-a-dia: isolamento telhado acima

Sinto que devo perder algum tempo a descrever a carpintaria, que é uma arte nobre, com o Bruno como um dos seus artistas principais. O Bruno, o Carlos e o Bruno júnior. A montagem dos caibros (as vigas inclinadas que sustentam o telhado) e dos cúmeos (as vigas da cumeeira do telhado) foi feita na semana passada, tomando as duas asnas metálicas como referência. Como a altura dos cúmeos e a inclinação dos caibros (os homens chamam-lhes caibrios) era orientada pelas asnas, a parte de baixo (a casa tem dois telhados) foi canja. Já a parte de cima, com apenas uma asna metálica, foi mais complicada. Para construir a asna de madeira a meio do vão foi necessário fazer um molde junto à asna metálica. Depois de colocada a asna de madeira, foi fácil distribuir os cúmeos e os caibros pela cobertura. A viga horizontal da asna só foi colocada esta semana, ficando a colocação dos varões dependente de eu os comprar amanhã, em Carviçais.

Hoje, pela primeira vez, fui pedir a um dos velhos para me ajudar com as podas. Neste caso ao tio Amílcar, para as parreiras (vides). Primeiro para as duas dentro da curralada da tia Baldo. A ideia, já antiga, é de fazer uma ramada (aqui chamam-lhe latada), ideia que muito agradou ao Amílcar. E retoma-se o uso original que o tio Baldinho imaginara para os menires, o de sustento dos arames que seguram a ramada. O tio Amílcar sugeriu que se encaminhasse uma das parreiras para pingar sobre a porta. Bestial. A seguir demos um jeito nas parreiras no quintal dos meus avós.