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Trigésimo quinto dia - zap

dia-a-dia: casario em perspetiva

Sair de casa. Zap. Choupos amarelinhos, quase sem folha, passando Guimarães. Zap. As carvalheiras de Vila Pouca, também mais amarelinhas. Zap. Paragem em Mirandela para ver preços. Compra de uma fita de 50 metros e um aloquete. Zap. Paragem em Vila Flor para compra de pão. Padaria em obras. Zap. Segunda padaria. Pão. Zap. Paragem em Moncorvo. Almoço. Zap. Paragem no carpinteiro. Não está. Zap. Telefonema ao empreiteiro. Zap. Visita ao serralheiro. Não está. Peço para ver as hastes, com a mulher do serralheiro ao lado. Ainda não as começaram. Zap. Paragem no Gaspar. Fechado. Zap. Telefonema ao veterinário. Zap. Paragem no contabilista. Não está. Igual para a secretária. Zap. Paragem no Gaspar. Compra de fardos, para as amendoeiras. Zap. Telefonema ao carpinteiro. Zap. De volta à carpintaria, para tratar de burocracias e pormenores. Vi pela primeira vez veluxes, isolamento e cúmeos. Zap. Passagem pelo veterinário, para pedir receita para contracetivos para a Fidalga. Zap. Encontro com o empreiteiro. Zap. Passagem no contabilista. Zap. Em Martim Tirado com o empreiteiro, para acertar pormenores do contrato da fossa e da concretização do telhado. Continua a só perceber à última como se rematam os outões. Continua contrariado. Zap. Foto da casa, experiência com a tesoura gigante de poda (finalmente funciona), guardar fardos e tesoura gigante, trazer aduelas antigas, carregar o carro com o resto das amêndoas. Zap. Compra de queijo da Fernanda. Zap. Café em Vila Flor. Zap. Gasóleo em Mirandela. Zap. De volta a casa.

Bem jeitosinhos os cúmeos

Vigésimo nono dia - figos

dia-a-dia: a caminho do telhado

Ontem à noite vi duas raposas. Uma, fugaz, a cruzar a estrada, outra ao longo da berma. Por uns segundos acompanhou-me o caminho. Hoje de manhã foram seis grifos. Agitados pelo carro, deram meia-volta e mudaram de rumo. Ainda há pouco, em Freixo, vi todas estas andorinhas, talvez a prepararem o voo para África. Nunca vi tantas.



Custou-me a acordar. No meu método de contar as horas de sono, quem se levanta às seis da manhã tem de deitar às dez da noite. Como ontem cheguei perto das onze (jantei por Mirandela), e ainda tomei banho, as horas de sono necessárias perderam-se. Custou-me a acordar.

Quando cheguei cumprimentei os homens e falámos de como tudo ia. Uma viga-lintel está feita, outra já tinha as cofragens. Falámos mais um pouco de como fixar as vigas metálicas à viga-lintel. Fui a Freixo falar com o empreiteiro e decidimo-nos pelo encastramento. Voltei às Quintas e comuniquei-lhes a decisão. Falámos se seria melhor deixar um negativo nas vigas a betonar ou serrar depois de betonar, colocar a viga de metal e betonar à volta. Eles preferem a segunda hipótese. A manhã ia um pouco mais avançada, já andava eu de volta da fruta, quando o sôr António me chamou (o Paulo e todagente chamam-lhe Tonho). Queria saber como rematar uma das paredes. Demorei a fazê-los perceber que o telhado era mesmo para ficar torto. Mas ó Nuno quem vir daqui vê a parede torta. O objetivo é mesmo esse, é como as casas antigas eram. Mas ó Nuno tem de levar caleira, as telhas ficam tortas e de repente um desenho que sobreviveu vários anos perdeu parte da força. Não sei bem o que é isto de ser arquiteto.

Sôr António a fechar o canto

os ferros são as teclas do piano do Hugo

Voltei à apanha da fruta. A Clementina emprestou-me três caixas da azeitona, duas das quais apenas para as uvas da parreira do canto. Todas as outras parreiras só servem para sombra. A da entrada da casa do fogo tem cachos grandes que valem pouco, a da entrada da casa da tia Baldo uvas nem vê-las, e a da horta, que cresce no meio das rosas, tem cachos deprimentes. Ou está tudo verde ou apenas a parreira do canto é que vale. E que parreira.

uvas da parreira boa

A seguir foram os figos. A poda resultou na pequena. Como tem mais sol os figos amadureceram mais cedo, e o tamanho é certo para a apanha. A outra figueira, majestosa, apanha menos sol e é difícil chegar aos melhores figos, nos ramos mais altos. Ficaram para depois.

figo da figueira anã

Antes de ir para Freixo perguntei à Clementina se queria alguma coisa da vila. Para os velhos nas aldeias a ida à vila não é coisa de todos os dias (por vezes é mensal, por vezes nem isso) e por vezes pedem-nos compras. Hoje pediram-me canela, em pau e em pó. Não sei se foi por ter negado o pagamento, mas ganhei um almoço.

Ganhei também um banco. Os bancos que a minha avó tinha junto do fogo eram iguais a estes. Vi que uma das pernas estava partida, e como estava esquecida junto ao teleheiro onde os homens estacionam a Kangoo perguntei à Alcina se ainda a queria. Ela, com o seu jeito de sempre, disse, como quem expulsa algo de mau, fique com ela!, quero lá o banco para mim.

já tenho banco