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Centésimo trigésimo oitavo dia - norden

Dia sem história. De manhã passei pela Câmara de Moncorvo para pedir a licença de habitabilidade; a tarde passei-a a montar móveis. Estou a montar todos os móveis menos as camas, a montar já dentro da casa depois de pintadas as paredes. Estou a gostar de usar a casa do meu avô como oficina (casa do fogo, chamávamos-lhe quando éramos putos), escondido da atenção do mundo por uma parreira e um pessegueiro.

mesa norden

O barro do quarto de baixo ainda não secou totalmente, apesar de a Clementina ter aberto portas e janelas todos os dias desde sexta. Para aumentar a circulação de oxigénio (que garante a secagem do barro) abri também as claraboias.

Lá fora os morcegos fazem mais barulho do que nunca. Já deviam saber que não se fala com a boca cheia.

Centésimo segundo dia - morcegos


Começa-se o dia desesperado, acaba-se o dia apaziguado. Ou vice-versa. É assim o dia-a-dia da Quinta dos Baldo. Os senhores das especialidades ou estão de férias ou vão de férias brevemente ou já fizeram férias. Pessoalmente, os meus favoritos são estes últimos.

Ontem encontrei-me com o Francisco, da SKREI. Por indisponibilidade de agenda, o pavimento vai ser feito por mim, em equipa com amigos, na segunda quinzena de agosto. Com tanta explicação de técnicas e ferramentas acabei por perder o último comboio do dia, e só vim hoje de manhã.

Mal cheguei passei por Moncorvo para tratar do ramal da água e do contador. Depois passei pela obra para ver as novidades (chão das casas de banho acabadas, idém para o telhado do cardanho, já com as pedras em falta) e rumei a Freixo à procura do carpinteiro. Só o encontrei ao fim da tarde, vindo de Poiares, suado, exausto. É em agosto que os emigrantes querem as cozinhas feitas e o stress aperta. Acordámos o calendário de trabalho até às férias. Férias? Se calhar nem fazemos férias este verão. É como eu.

a passagem

a casinha da Fidalga

Durante o dia, sem obra para acompanhar, perdi-me em orçamentos, emails, telefonemas, correções. Um dilema moral corroía-me: será que os buracos para as sanitas estariam à distância certa da parede? Medi um: 23 centímetros, o erro não é grande. Medi o segundo: 29 centímetros. Erro do grosso. E com responsabilidade minha, que não verifiquei as medidas, e depois de tantas alterações. O picheleiro tranquilizou-me o quanto pôde - com as sanitas à frente logo se via o que fazer. 

Com o andar dos dias as minhas calças foram rasgando-se. A minha mãe coseu os primeiros rasgos. De há duas semanas para cá, rompeu-se o joelho, num buraco que ia aumentando a cada dia. A verdade é que me sinto muitas vezes um maltrapilho, mas com as calças rotas tudo piora. Fixado no rasgo, pedi agulha e linha à Fernanda e, voilá!, corte e costura expresso.

as artes da costura (não passaram por aqui)

Caiu tempestade durante o fim de semana. A água bem que faltava aos terrenos. Os morcegos da Macieirinha, ao contrário dos do litoral, que só se notam ao lusco-fusco ou quando passam sob um candeeiro, fazem barulho ao caçar. Um morcego, como caça na escuridão, não pode usar os olhos para apanhar insectos; para esse efeito recorre a gritos ultrassónicos contínuos e apercebe-se das suas presas através do eco que os seus corpos reproduzem. De início pensei que os pios que ouvia lá fora eram de pássaros. Pássaros à noite? Que ideia estúpida.