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Septuagésimo sexto dia - carvalhos

Ontem vi duas cobras mortas, só no caminho entre o Pocinho e a Macieirinha. E uma gineta. Viva. E papa-figos. Quantos.

Falei ao tio Luís dos carvalhos a caminho de Freixo (americano e, acho, negral). Reação dele: achava que só havia um tipo de carvalho. O que comprova a minha teoria em relação às quercíneas - as que se plantam têm nomes específicos (sobreiros, azinheiras), as que não se plantam têm um nome genérico (carvalhos).

Estou à espera do senhor do ar condicionado. Despachámos o ar condicionado e a bomba de calor pela Santos, e o montador ficou de os vir buscar à garagem. Nem sombras dele.

Igual para o empreiteiro. O compromisso de lá estar de manhã esfumou-se numa névoa de justificações mal amanhadas. Com pouco do pladur para decidir, virei-me para o lajeado da entrada de cima. É tão mais fácil trabalhar sem ter um empreiteiro a botar massa atrás de nós. O início saiu bastante bem, mas o calor e a falta de pedra boa ditaram resultados piores.

lajeado - 2 de 3
(foto)

Ao fim da tarde voltei ao pinhal. Muito trabalhinho.

Quadragésimo nono dia - carvalhal

dia-a-dia: está na hora do telhado

O dia acabado, já pouca luz sobrava sequer para caminhar, e eu ainda lá, na Quinta dos Baldo. Primeiro olhava as telhas, um beiral já acabado, um esboço do que será um telhado acabado. Depois o interior. Algum clique ficou por acontecer no meu cérebro porque continuo a passar longos minutos embasbacado a olhar as madeiras, sempre ao fim da tarde, depois dos homens partirem. O fascínio continuou mesmo depois de arrancar para a Macieirinha. Parei o carro um pouco mais à frente para olhar o beiral.

A Clementina, mal cheguei, logo me intimou a livrar-me dos cachorros. A cadela já não tem leite, os cachorros já comem comida, ainda ontem lhes dei arroz. A cachorrada tem de ir. O empreiteiro e o Luís, um dos assalariados, levaram cada um o seu cachorro. Eu levo outra amanhã. Fica apenas mais uma, cachorrinha, adoentada, a mais pequena de todas. Preciso de um dono que precise de uma cachorrinha.

À hora do almoço, a caminho de Freixo para mais uma jornada de burocracia, reparei na beleza do carvalhal. O terreno, pertença do Estado, já ardeu várias vezes, e está agora, penso, na guarida das Juntas. Como nas Juntas não entra a questão do lucro rápido, entra a razão. Plantar eucaliptos e pinheiros, que ardem todos os anos? Isso é estúpido. Planta-se é carvalhos, que quando há incêndios permanecem. E assim foi. Tanto plantaram os carvalhos, americano e alvarinho, como agora limparam o terreno à volta dos carvalhos, para que cresçam com mais vigor. E podaram os carvalhos mais pequenos. E arrancaram as mimosas, quase já a formar um bosquete. Quase me vieram lágrimas, tanta era a alegria. Todo um país podia ser assim, simples.

um carvalhal em crescimento