Centésimo quadragésimo dia - luz

A tia Alcina mostrou-me, orgulhosa, a criação da garniza. Onze pintos! Eram onze ovos, tão cá todos, são onze pintos!

os pintos da tia alcina

Mais um dia de trabalho intenso. Desta feita, carpinteiros e eletricistas, e eu pelo meio para complicar. Na carpintaria apenas remates. Arestas por pintar, portas de armários por aplicar, etc. Aproveitando a mão-de-obra presente, aproveitei para colocar os espelhos na casa de banho. Já para os eletricistas os desafios montavam (tanto que o serviço ficou por acabar).

trabalho contínuo

Durante a manhã insisti nos móveis. Já que não posso ainda montar as camas (tenho de as montar dentro dos quartos), comecei a montar as gavetas das já referidas camas.

O resto do dia passei-o a acompanhar os obreiros (temente da repetição de situações como a do armário de baixo, que mereceu hoje mais uma reunião de trabalho).

Quando os eletricistas deram o caso por terminado, já perto das seis, entrei eu em ação. Era hora de dar a segunda de verniz no quarto de baixo, munido de uma novidade: luz elétrica! Assim, pude trabalhar até às oito e um quarto.

primeira foto noturna. qualidade zero

Centésimo trigésimo nono dia - louva-a-deus

À falta de obreiros para orientar, virei-me para o verniz em falta no quarto de baixo (primeira camada) e na cozinha (segunda camada).

a cozinha

Chegado ao fim da tarde, sem mais que fazer, continuei a apanha da amêndoa. A tia Clementina colocou a amêndoa da semana passada a secar na eira. O tio Luís estava a descascar a amêndoa que apanhei hoje e juntei-me a ele. O tio Amílcar fez igual.

é amêndoa, trovão. não morde

A escola é um zoológico de pequenos animais. Hoje foi a vez do louva-a-deus.

louva-a-deus regressa à escola

Centésimo trigésimo oitavo dia - norden

Dia sem história. De manhã passei pela Câmara de Moncorvo para pedir a licença de habitabilidade; a tarde passei-a a montar móveis. Estou a montar todos os móveis menos as camas, a montar já dentro da casa depois de pintadas as paredes. Estou a gostar de usar a casa do meu avô como oficina (casa do fogo, chamávamos-lhe quando éramos putos), escondido da atenção do mundo por uma parreira e um pessegueiro.

mesa norden

O barro do quarto de baixo ainda não secou totalmente, apesar de a Clementina ter aberto portas e janelas todos os dias desde sexta. Para aumentar a circulação de oxigénio (que garante a secagem do barro) abri também as claraboias.

Lá fora os morcegos fazem mais barulho do que nunca. Já deviam saber que não se fala com a boca cheia.

Centésimo trigésimo sétimo dia - Ikea

O lume é carava, dizia-me a Alcina ao borralho, hoje de manhã. As noites e as manhãs andam frias e as velhas já acendem a lareira.  Companhia, perguntei eu? Aquilo que você chama companhia eu chamo a carava. Ensinou-me uma mulher que morou lá na sua casa.

Não sei se por vergonha, se por que foi, mas ontem ocultei o que me ocupou parte do dia, e a totalidade do dia de hoje: montar móveis do Ikea. Não que me envergonhe de comprar móveis lá mas sei que os futuros clientes vão querer algo mais do que um catálogo do Ikea. Os prazos e o orçamento ditaram as decisões, mas espero que, com tempo e tino, possa escolher melhor.

O barro está a secar bem. Segunda envernizo.

Centésimo trigésimo sexto dia - retoques

E eis que se acaba o barro. Não a matéria-prima, reforçada esta semana com novo carregamento, mas o chão. Com a ajuda do obreiro, ainda a manhã ia a meio e já tínhamos terminado o quarto de baixo.

quarto de baixo

quarto de baixo

Acabado o barro, desloquei o obreiro para outras funções. Primeiro para arrumar saibro e barro longe da vista; depois para acartar terra que tinha ficado junto da eira para preencher os desníveis que o empreiteiro se recusou a tapar.

A carpintaria avançou também, mais centrada nos pormenores. As casas de banho de baixo já têm portas.

retoque finais

retoques finais

Centésimo trigésimo quinto dia - gaveta

Aparentemente, a borrasca já foi. Sem chuva, as misturas já se fazem facilmente no exterior e o trabalho segue sem percalços  Como o obreiro número dois (o número um só volta amanhã) teve de apanhar o comboio das cinco e meia, o trabalho acabou cedo, pelas quatro e meia. Se não, acabávamos o quarto. Ai não que não acabávamos.

A carpintaria seguiu o seu rumo. Vieram as portas, já lacadas e envernizadas (a parte envernizada ainda me assusta, a ver se com o tempo perde força), e os pormenores em falta são cada vez menos. Cada novidade traz consigo uma nova dificuldade, mas dá sempre para resolver.

o enigma da gaveta enviesada

Centésimo trigésimo quarto dia - chuva

Meses e meses de secura extrema (dizia-me o tio Luís: a última vez que choveu a sério foi em novembro) e tinha de cair a borrasca na última semana de obra. Tivemos de crivar e amassar o barro no corredor. Isto quando já tínhamos barro, que chegou apenas a meio da manhã. Mal chegou, acabámos a cozinha e avançámos para o quarto de baixo, o último por acabar.

debaixo da fita

Os carpinteiros também andaram por lá, a fechar armários e a desenhar portas feitas de forro. Muito a contragosto, lá montaram o exaustor da cozinha e respetivo móvel. Digo a contragosto por estes serem do Ikea.

a cozinha

trabalho de carpinteiro

Deus, tanta chuva. Bom para as castanhas e para as sanchas, sem dúvida.