Colaborando

Museu do Douro

Temos a honra de apresentar a primeira colaboração da Quinta dos Baldo. A partir de agora, vendemos bilhetes para o Museu do Douro, com desconto. 

O Museu do Douro está sediado na Régua. A visita vale a pena.

Novo preçário

Decidimos que, no início, iríamos praticar preços baixos. Para cativar clientela, principalmente. Não é que queiramos inflacionar exageradamente os preços mal conquistemos essa clientela, mas achámos que devíamos começar por baixo. E foi o que fizemos. Os nossos preços - 55 euros por noite, 65 por noite ao fim de semana - são claramente abaixo da média. O que aconteceu, talvez pela conjuntura, talvez por ainda não dominarmos os canais de comunicação, talvez pelo preço, é que não estamos a ter a procura prevista. 

Assim, e até ver, os preços baixaram. A tarifa plana para o ano inteiro mantém-se, deixa de haver preço diferenciado entre semana e fim de semana, e o preço fica-se pelos 50 euros. 50 euros em qualquer dia, o ano inteiro.


Como sempre, esperamos a vossa visita. Até já!
 

Plantando um jardim autóctone, económico e sustentável

4 - Plantar


O propósito deste jardim é plantar apenas plantas da região / nacionais, prefencialmente recolhidas localmente. O azevinho (Ilex aquifolium) foi a única planta regional / nacional comprada, e as únicas exóticas são a roseira-trepadeira (Rosa spp) e a camélia (Camellia L., plantada muito a contragosto).


Estas são as plantas que já estão na terra:


Bela-luz (Thymus mastichina): o tomilho da região, usado muito na água das azeitonas. É, segundo Luís Alves, "o mais fantástico dos tomilhos que conheço". Trouxe-mos o Luís (o vizinho), apanhado no Lombelo. Só depois de os plantar é que percebi que "gosta de solos bem drenados, expostos ao sol", se não não os teria plantado à entrada, onde o muro tapa todo o sol matinal, e onde poderá haver humidade a mais. Quando arranjar mais planto-os em sítio mais solarengo.

Bela-luz (tomilho)

Arçã (Lavandula stoechas): aqui chamam arçã ao rosmaninho, a famosa aromática que faz as primeiras colonizações, antes das giestas e estevas. Aparece nas bordaduras de giestais e pinhais e é omnipresente nas bermas dos caminhos. Está a florir agora (abril), e algumas das plantas transplantadas já têm flor.

Arçã (rosmaninho)

Carqueja (Genista tridentata L.): já há muitos anos que a carqueja faz parte das opções gastronómicas da minha família. O coelho é sempre estufado com uns raminhos da dita; havendo carqueja, uso-a sempre para aromatizar o arroz; havendo flor, a infusão é deliciosa (e boa para o colesterol, dizem-me). O arroz de pato com carqueja é também muito vulgar. As carquejas que consegui arranjar vieram de matagais de giestas e pinheiros jovens e são um pobre arremedo de um arbusto. Tiveram de lutar pela vida, são tortinhas e fracas, e foi difícil arrancá-las com torrão. Espero que deixem descendência.

Carqueja

Alecrim (Rosmarinus officinalis): trouxe-mo a tia Clementina. Fomos a um amendoal dela e pelo caminho encontramos um alecrim, grande como uma pequena árvore. Vendo o meu ar fascinado, voltou lá e trouxe-me seis pés. Não sei se o alecrim é autóctone mas é certamente uma bestial contratação para o jardim.

Alecrim

"Alecrim": já percebi que isto não é alecrim; estou à espera que uma alma caridosa me identifique o bicho. Achei-o no caminho para a escola, junto ao rosmaninho. Fica a forrar os canteiros.

'Alecrim', entre outras

Xagarço (Halimium umbellatum): plantinha que, crescendo com espaço e luz, forma tufos agradáveis à vista. Parece uma mini-esteva: até as flores são parecidas.

Xagarço

Carrasco (Quercus ilex): a azinheira é a quercínea espontânea mais vulgar da região. Em Martim Tirado surge a colonizar antigos amendoais e campos de cereais, normalmente na sua forma arbustiva. Apenas se veem azinheiras altas quando em competição direta com os pinheiros. Plantei uma num sítio longe das canalizações, e vou tentar controlá-la, de modo a não crescer desmesuradamente.

Carrasco (azinheira)

Ao plantar cavei covas (mais ou menos profundas, consoante a planta), enchidas com terra nova, com menos pedras. Os rosmaninhos, prenhes de flores, plantei-os ao longo da passagem. As arbustivas maiores, logo atrás. Os "alecrins", que crescem rente ao solo, servem para cama dos canteiros.

O inverno frio e húmido está a fazer maravilhas pelas plantas novas. Mesmo as que, mais agarradas à terra, soltaram-se sem torrão, com as raízes nuas (ou mesmo danificadas, como o carrasco e as carquejas), parecem estar a safar-se.

A bela-luz, ainda a acomodar-se

Plantando um jardim autóctone, económico e sustentável

3 - Pontos de água

Ao contrário da sombra, não vou tergiversar sobre a criação de pontos de água num jardim. Não sei se são necessários, qual a sua utilidade. Sei apenas que na Quinta do Baldo vamos ter pontos de água. Dois.

No futuro, gostava de ter um reservatório para a água da chuva, ligado a caleiras. Aí tinha água para regar as plantas nas alturas mais secas. Até lá, vou ter algo de semelhante: duas pias, herdadas dos meus avós, para lembrar a chuva (pelo menos) uma semana depois de chover.

Uma das pias estava num palheiro onde o meu avô guardava o porco (palheiro de bloco, que demolimos recentemente). Dizem-me os vizinhos que a pia era de pedra, pesadona, para que o porco não a virasse. O porco é como o javali, sempre a fuçar. Quando a retro andou a fuçar por ali, pedi ao operador para pegar nas duas pias e colocá-las no jardim.

O que estava muito bem. O que não estava bem eram duas pias, atiradas para um canto do jardim, sem grande jeito. O truque era movê-las. Há umas semanas, antes de começar a plantação maciça de plantinhas do monte, tratei de trasladar as pias para junto às portas de baixo. A inspiração veio da construção das pirâmides do Egito (se bem que, neste caso, o escravo sou eu). Custou um pouco, soltaram-se mais umas lajes do pavimento, mas está feito. Talvez uma rã ou duas aceitem passar cá uns fins de semana.

Preparado

Upa

Upa upa

Feito

Plantando um jardim autóctone, económico e sustentável

2 - Criar sombra

Um dos fundamentos (presumo eu) da arquitetura bioclimática é, na ótica do mínimo esforço para máximo resultado, blábláblá, pôr a natureza a trabalhar para nós. Se a arquitetura bioclimática não é assim, então, enfim, mudo já de religião. Isto a propósito de (conversa de arquiteto) sombreamento de vãos. No curso de arquitetura falaram-nos amiúde de brise-soleil, mas muito pouco de sombreamento natural.

Quando a casa era ainda projeto pensei nos olmos do quintal (uma das razões para comprar a casa) como uma proteção natural à canícula. Os olmos foram secando e fui procurando alternativas.

Uma alternativa que existia desde o início eram as parreiras que o senhor Baldo plantou para fazer latada (ramada). Com as maravilhas da técnica, e uma Black & Decker, aqui o Gomes deu conta do assunto.

A parreira do tio Baldo

Os menires dos dois lados do pátio serviam mesmo para isso, para sustentar uma latada. Como ainda não houve tempo para outras aventuras, fiquei-me pelo básico de amparar a parreira à parede. O resto logo se vê.

Quanto às portas de baixo, outra ideia surgiu, certamente das horas infindas em blogues de design e decoração. Um (à falta de melhor palavras) arco de rosas a enquadrar a entrada da cozinha e do quarto dos olmos. Como todo o grande projeto tem o seu processo, tratei de arranjar as rosas. Nos viveiros não havia 'rosas de trepar'. Um dia, fortuitamente, encontrei-as no Jumbo. Plantei-as, duas, ao lado de cada porta.

Camarão. Fechado.

O serviço acabado.
flickr

De seguida dei corda à Black & Decker e, usando arame envolto em plástico e camarões fechados, fiz uma guia para as roseiras crescerem, e irem pingando sobre as portas. Vou publicando fotos da evolução.

Gente que gosta - Adelita Rosa de Mesquita


Nuno Gomes, boa noite!

Sirvo-me do presente email para parabeniza-lo pelo seu projeto Quinta dos Baldo. Contagiante o seu diário blogado desde o 1º dia ( demolições) até o 145º dia ( obra terminada).
Fiz questão de acompanha-lo desde a sua primeira postagem, pude participar da sua emoção em reconstruir a arquitetura dos seus ancestrais. Tudo muito lindo. Acompanhei passo o passo da sua construção em silêncio e só agora me manifesto para parabeniza-lo.
Sou brasileira, possuo um projeto um pouco parecido aqui no nordeste do Estado de Goiás/Brasil.
Meu nome é Adelita , apelidaram-me de  Della.
Meu blog é http://estanciadosportais.blogspot.com.br Permaculturando com Arte.
Querendo dê uma passadinha por lá. Estou um tanto desatualizada devido aos muitos compromissos embaraçados mas pretendo organiza-lo a partir deste mês que começam as práticas permaculturais do meu projeto.

Felicidades mil e que suas cerejeiras floresçam com a mesma intensidade do seu amor e paixão pela Quinta dos Baldo.

Parabéns e que você tenha muito sucesso no seu empreendimento.
Abraços
Della

Open Street Map - Perímetro Florestal do Palão

Nas minhas andanças pelo Open Street Map tenho desenhado toda a rede de caminhos que envolve Martim Tirado. Com o tempo surgiram também as manchas florestais. Comecei entretanto a distinguir entre caminhos, e também entre as manchas florestais, que podem ser espontâneas ou geridas.

Povoamento de pinheiros

O que distingue uma da outra na fotografia de satélite é que a floresta gerida é plantada, e normalmente isto é feito segundo as curvas de nível.

A caminho de Freixo, o crescimento de um carvalhal (misto de americano e pyrenaica) foi-me apaixonando ao longo dos tempos. Percebia que era um crescimento controlado, mas apenas aquando do início dos trabalhos de manutenção é que percebi que os carvalhos tinham sido plantados e eram geridos, assim como o pinhal que os envolve. Viam-se claramente as linhas de plantação, segundo as curvas de nível. As pessoas da zona apenas me falavam dos dois grandes incêndios que arrasaram com a zona, uma vez alguém me falou de uma gestão conjunta, e é tudo o que sabia sobre aquele povoamento.

Só quando comecei a investigação é que me cruzei com o mapa de áreas geridas pela Autoridade Florestal Nacional (agora ICNF):

Áreas geridas pela AFN

Foi então que descobri o conceito de perímetro florestal, e dentro disso, o Perímetro Florestal do Palão:


A área a verde tenta representar os limites do Perímetro (se bem que toscamente). Ao prestar mais atenção ao passar de carro e ao desenhar as suas características, apercebi-me que a sua plantação regrada, os pontos de água, a rede de caminhos, são tudo questões essenciais para a autoproteção do Perímetro, assim como para o seu sucesso florestal.

Um pouquinho de busca e descobri mais sobre o projeto em curso, gerido pelas Juntas de Freixo e Mazouco. Não estará a ser seguido à justa

Para combater a desertificação física dos solos, os técnicos vão pôr de lado o pinheiro, que anteriormente povoava aquela área, e plantar espécies mais adequadas ao solo e clima da região, como é caso do sobreiro, castanheiros, azinheira e carvalho.

(plantaram-se muitos pinheiros), mas é certamente um exemplo para um país com muita floresta mas que é muito pouco florestal. Espero que avancem com os cogumelos: 

Naquela zona vai, ainda, ser criada uma mancha para a produção de cogumelos silvestres, bem como a recuperação da antiga casa florestal.